Homem é condenado a 80 anos por matar crianças e tentar feminicídio

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) obteve a condenação de Fernando Evangelista da Silva, de 36 anos, a 80 anos de prisão em regime fechado por duplo homicídio qualificado e tentativa de feminicídio.

O julgamento foi realizado pelo Tribunal do Júri na noite desta terça-feira (31), e o réu foi preso imediatamente após a sentença.

Crime chocou o município de Paraty

O caso ocorreu em janeiro de 2020, no município de Paraty, na Costa Verde fluminense.

Segundo a denúncia, o condenado matou duas crianças — de 5 e 4 anos — e tentou matar sua então companheira, que sobreviveu após ser socorrida.

Dinâmica do crime

De acordo com o MPRJ, o acusado provocou um incêndio na residência da família de forma intencional.

As investigações apontaram que ele:

  • Ateou fogo a um colchão 
  • Posicionou o objeto em chamas na porta da casa 
  • Impediu a saída das vítimas 
  • Trancou o imóvel antes de fugir 

As crianças estavam dormindo no momento do incêndio. A mulher estava no banheiro e conseguiu sobreviver.

Motivação e julgamento

Durante dois dias de julgamento, o Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri (GAEJURI/MPRJ) sustentou que o crime teve motivação torpe, ligada ao inconformismo com o relacionamento e à rejeição às crianças.

O Conselho de Sentença reconheceu:

  • Uso de fogo como meio cruel 
  • Recurso que dificultou a defesa das vítimas 
  • Agravante por se tratar de menores de 14 anos 

No caso da vítima sobrevivente, foi reconhecida a tentativa de feminicídio, também com qualificadoras.

Caso teve julgamento complexo

Segundo a promotora Simone Sibílio, coordenadora do GAEJURI, o processo foi marcado por alta complexidade.

O julgamento ocorreu em segunda sessão, após a interrupção da primeira, quando a defesa abandonou o plenário — situação que, segundo o MP, agravou o sofrimento da vítima sobrevivente.

O Ministério Público destacou ainda que atuou para garantir a proteção da vítima ao longo de todo o processo.

Para o MPRJ, a condenação representa uma resposta à gravidade do crime e um reconhecimento da violência praticada.

A pena de 80 anos deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Divulgação

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