Aquele rapaz com ar de superioridade

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Olhe só aquele rapaz bem-vestido, com ar de superioridade. Um dia todos nós já fomos iguais a ele. Chegamos aqui neste local imundo por curiosidade, achando que teríamos controle, que usaríamos de forma recreativa e olhamos para o restante, como pobres coitados, dependentes.
Ele nem desconfia que em muito pouco tempo será um de nós, com rostos iguais. Percebe só que é a terceira vez que vem aqui. Na primeira vez, foi em uma madrugada de sábado para domingo, talvez, após uma pomposa balada, trazido por um amigo; na segunda, na véspera de um feriado e, hoje, em plena quarta-feira, meio de semana, logo ao anoitecer.
Não sei se você está reparando que, em pouco tempo, está mais magro, quase imperceptível, sua barba não está tão bem-feita nem os cabelos penteados, como da primeira vez. Não sei se é impressão minha, mas as roupas não estão tão bem cuidadas como antes. É a maldição deste local.
Em pouquíssimo tempo, aquele rapaz com ar de superioridade, que nos olha como míseros dependentes químicos, será mais um rosto entre nós, sujo, descalço e com a pele cinzenta. Um dia todos nós fomos como ele, achando que tínhamos autocontrole.
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