Câmara aprova Nova Lei do Transporte: Cide pode baixar preço da passagem

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3278/21, que cria o novo marco regulatório do transporte público coletivo no Brasil. A proposta, que agora segue para sanção presidencial, promete revolucionar o financiamento do setor e permitir a redução do valor das tarifas por meio de subsídios federais.

O ponto central da reforma é a utilização de recursos da Cide Combustíveis (tributo federal sobre a gasolina) para baratear o custo da passagem para o usuário final.

Passagem mais barata e isenção de pedágio

A nova lei desvincula a remuneração das empresas do valor pago pelo passageiro na catraca. Isso significa que a prefeitura ou o governo estadual poderá pagar à empresa o custo real do serviço, enquanto o cidadão paga uma tarifa menor, subsidiada pelo governo.

Principais mudanças aprovadas:

  • Subsídio Federal: O Governo Federal poderá usar a arrecadação da Cide para ajudar cidades que tenham programas de redução de tarifa.
  • Isenção de Pedágio: Ônibus de transporte coletivo (urbanos, intermunicipais e interestaduais) não pagarão mais pedágio em rodovias federais, estaduais ou municipais.
  • Fontes Alternativas: O sistema poderá ser financiado por publicidade em terminais, exploração de áreas comerciais em estações e até créditos de carbono.

Quem paga a conta da gratuidade?

Atualmente, as gratuidades (como para idosos e estudantes) costumam ser custeadas pelos demais passageiros que pagam a tarifa cheia. A nova lei estabelece um prazo de cinco anos para que estados e municípios adaptem suas contas: o custo dessas gratuidades deverá vir de subsídios diretos do orçamento, e não mais do bolso do trabalhador que paga passagem.

Combate ao Transporte Ilegal

O texto também endurece o jogo contra o transporte clandestino. O poder público poderá aplicar multas de até R$ 15 mil e apreender o veículo. Em caso de reincidência dentro de um ano, o proprietário poderá perder o veículo definitivamente.

Polêmica e Opiniões

Apesar de ser visto como um avanço social por deputados como Tarcísio Motta (Psol-RJ), que vê no projeto um caminho para a Tarifa Zero, o texto enfrentou resistência. O deputado Kim Kataguiri (MISSÃO-SP) criticou o modelo por considerar que ele “engessa” o setor e dificulta a entrada de novos atores no mercado. Já Gilson Marques (Novo-SC) classificou a medida como populista, alertando que o custo acabará recaindo sobre toda a sociedade através de impostos.

 

Tabela: De onde virá o dinheiro para o transporte?

Fonte de RecursoDestinação
Cide CombustíveisSubsídio direto para baixar o valor da passagem.
Publicidade e LojasReceitas extras em terminais e pontos de parada.
Créditos de CarbonoVenda de compensações ambientais pela frota limpa.
Novos PrédiosContrapartida de grandes empreendimentos imobiliários.
Isenção de PedágioRedução do custo operacional das empresas de ônibus.

 

Com informações de Ag. Câmara de Notícias

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Thiago Cristino / Câmara dos Deputados

 

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