Câmara aprova política para minerais críticos e estratégicos

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva mineral e ao incentivo à industrialização no país. O texto segue agora para análise do Senado Federal.

De autoria do deputado Zé Silva e outros parlamentares, o Projeto de Lei 2780/24 foi aprovado com substitutivo apresentado pelo relator, Arnaldo Jardim.

A proposta prevê incentivos governamentais para projetos de pesquisa, processamento e transformação de minerais considerados estratégicos para setores como tecnologia, transição energética, defesa nacional e indústria automobilística. Esses minerais são utilizados na fabricação de smartphones, baterias, carros elétricos e equipamentos militares.

Fundo bilionário e incentivos fiscais

Entre as principais medidas está a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam), que contará com aporte inicial de R$ 2 bilhões da União para garantir financiamentos e reduzir riscos em empreendimentos ligados ao setor.

O projeto também institui um programa de incentivos fiscais federais, com previsão de R$ 5 bilhões em créditos tributários distribuídos ao longo de cinco anos.

Os projetos considerados prioritários serão definidos pelo novo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), órgão responsável por atualizar, a cada quatro anos, a lista oficial de minerais estratégicos.

Mineração urbana e agregação de valor

Durante a votação, Arnaldo Jardim destacou o potencial do Brasil para se consolidar como referência mundial na produção e reciclagem desses minerais. O relator defendeu a chamada “mineração urbana”, baseada na recuperação de minerais presentes em resíduos eletrônicos, baterias, veículos e materiais descartados.

Segundo ele, a proposta busca evitar que o Brasil permaneça apenas como exportador de commodities minerais, incentivando a agregação de valor e o desenvolvimento tecnológico nacional.

Participação das empresas

O texto determina que empresas do setor mineral destinem, durante seis anos, 0,2% da receita operacional bruta ao Fgam e outros 0,3% a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica.

Após esse período, o total de 0,5% poderá ser direcionado integralmente a projetos de inovação ou fundos específicos voltados ao setor mineral estratégico.

Cadastro nacional e leilões

A proposta cria ainda o Cadastro Nacional de Projetos de Minerais Críticos e Estratégicos (CNPMCE), que reunirá informações sobre empreendimentos e áreas de exploração em todo o país.

Além disso, áreas com potencial mineral deverão ter prioridade em leilões promovidos pela Agência Nacional de Mineração, incluindo áreas desoneradas que retornaram ao controle da agência.

Debate político

O projeto gerou divergências no Plenário. Parlamentares da base governista destacaram avanços relacionados à industrialização e ao planejamento estratégico do setor. Já deputados de oposição e partidos de esquerda criticaram a ausência de maior controle estatal e alertaram para riscos de ampliação da participação estrangeira na exploração mineral brasileira.

Entre as críticas, parlamentares defenderam a criação de uma estatal específica para gerir os minerais estratégicos, nos moldes da Petrobras e da Embrapa.

Com informações de Agência Câmara Notícias

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

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