Campos: PF e GAECO prendem 6 policiais penais por tráfico em presídios

Uma operação conjunta entre o GAECO/MPRJ e a Polícia Civil abalou a estrutura do sistema prisional no Norte Fluminense nesta quinta-feira (07/05/2026). Seis policiais penais e outras seis pessoas foram alvos de mandados de prisão preventiva, acusados de integrar uma organização criminosa que transformou os presídios de Campos dos Goytacazes em pontos de venda de drogas e celulares.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas unidades prisionais Dalton Crespo de Castro e Carlos Tinoco da Fonseca, além de endereços ligados aos investigados em Campos, na Capital, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Duque de Caxias e Cabo Frio.
O Fio da Meada: Um Assassinato em 2025
A investigação que derrubou o esquema teve um início sangrento. Tudo começou após a execução a tiros do ex-policial penal Marcelo Aparecido de Lima, em abril de 2025, no Parque Santa Clara, em Campos.
Ao analisar os dados dos celulares da vítima, os peritos da Polícia Civil e promotores do GAECO descobriram uma estrutura hierárquica profissional. O grupo era dividido em tarefas específicas:
- Fornecedores: Quatro pessoas (incluindo um detento) abasteciam a rede com drogas e aparelhos.
- Logística Funcional: Os seis policiais penais usavam suas fardas e prerrogativas para colocar o material dentro das celas sem passar pela fiscalização.
- Vendas Internas: Dois custodiados cuidavam do fracionamento das drogas e da comercialização ilegal para outros presos.
Lucro com a Corrupção
Segundo o Ministério Público, os agentes públicos recebiam propinas e participavam diretamente dos lucros das vendas realizadas no interior das unidades. Diante da gravidade dos fatos, o Juízo da 3ª Vara Criminal de Campos não apenas decretou a prisão, mas também determinou o afastamento imediato dos policiais de suas funções públicas e a suspensão do porte de armas de fogo.
O esquema funcionava de forma estável e permanente, gerando um ecossistema criminoso que fortalecia facções dentro das unidades Dalton Crespo e Carlos Tinoco.
Box Informativo: Como a Investigação Digital Derrubou o Grupo
O PODER DA PERÍCIA: A “quebra” da organização criminosa foi possível graças à perícia digital nos aparelhos do ex-policial morto em 2025. Mesmo mensagens apagadas ou arquivos ocultos podem ser recuperados por softwares avançados da Polícia Civil. Neste caso, as conversas revelaram não apenas os nomes dos envolvidos, mas também a contabilidade do tráfico e as datas em que os celulares seriam entregues nas mãos dos presos, servindo como prova irrefutável para o pedido de prisão preventiva feito pelo GAECO.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto Reprodução
