Copom corta Selic para 14,5% e cita riscos externos

Apesar das tensões internacionais, especialmente ligadas à guerra no Oriente Médio, o Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros pela segunda vez consecutiva.

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária cortou a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,5% ao ano — movimento já esperado pelo mercado financeiro.

Juros seguem elevados após pico histórico

Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. A retomada dos cortes ocorre em meio à desaceleração da inflação, mas com incertezas externas pressionando os preços.

Segundo o Copom, o cenário internacional, especialmente os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis e alimentos, aumenta a incerteza e dificulta a condução da política monetária.

Inflação segue pressionada

A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, subiu 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,37%, aproximando-se do teto da meta.

Atualmente, a meta contínua de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

As projeções do mercado são mais pessimistas: o boletim Focus estima inflação de 4,86% em 2026, acima do limite estabelecido.

Impactos na economia

A redução da Selic tende a estimular a atividade econômica, ao tornar o crédito mais barato e incentivar o consumo e a produção. Por outro lado, juros mais baixos podem dificultar o controle da inflação.

O Banco Central projeta crescimento de 1,6% do PIB em 2026, enquanto o mercado estima expansão de 1,85%, segundo o boletim Focus.

Copom monitora cenário global

Em comunicado, o Copom afirmou que segue acompanhando os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação.

O colegiado também destacou que o nível de incerteza aumentou, especialmente pela dificuldade de prever a duração do conflito e seus efeitos sobre a economia global.

Diante desse cenário, o Banco Central não indicou os próximos passos da política de juros, reforçando que futuras decisões dependerão da evolução da inflação e das condições econômicas internas e externas.

Com informações de Ag. Brasil 

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Marcelo Casal / Ag. Brasil 

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