Disputas trabalhistas superam R$ 50 bilhões e reacendem debate sobre gestão do trabalho

O custo das disputas trabalhistas no Brasil atingiu um novo patamar em 2025. Segundo dados oficiais da Justiça do Trabalho, as empresas desembolsaram R$50,7 bilhões em ações trabalhistas no ano passado. Essa é  a primeira vez que os pagamentos superam a marca de R$50 bilhões em um único ano.

O auamento acompanha a retomada da judicialização no país. Estatísticas do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostram que foram registrados 2,3 milhões de novos processos nas varas do trabalho em 2025, crescimento de 8,7% em relação ao ano anterior.

Os valores pagos pelas empresas incluem R$ 22,4 bilhões em acordos judiciais, R$ 22 bilhões em condenações executadas e R$6,2 bilhões em pagamentos voluntários após decisões judiciais. Considerando tributos recolhidos,  principalmente contribuições previdenciárias e imposto de renda, o montante ultrapassa R$57 bilhões.

Disputas seguem concentradas em temas recorrentes

Apesar da variedade de ações levadas ao Judiciário, a maior parte das disputas continua concentrada em alguns temas clássicos das relações de trabalho.

Levantamento da empresa de análise jurídica Predictus, baseado em dados da Justiça do Trabalho, aponta que as principais causas das ações trabalhistas em 2025 foram horas extras, responsáveis por 25,7% dos processos, seguidas por verbas rescisórias (20,4%) e adicional de insalubridade (20,2%). Já indenizações por dano moral aparecem em cerca de 19% das ações.

Os dados indicam que disputas relacionadas à jornada de trabalho, condições laborais e pagamento de direitos na rescisão contratual permanecem entre os principais fatores de judicialização.

O crescimento das ações também ampliou o número de empresas envolvidas em disputas judiciais. Estimativas da Predictus indicam que cerca de 1,83 milhão de empregadores foram acionados na Justiça do Trabalho em 2025, evidenciando a capilaridade do contencioso trabalhista no país.

Ambiente de trabalho e saúde mental entram no radar

Especialistas apontam que parte dos conflitos trabalhistas está associada à forma como o trabalho é organizado dentro das empresas.

Um levantamento conduzido pela Aventus Ocupacional, com metodologia validada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e aplicado em 245 empresas da Região Metropolitana de Campinas, identificou que fatores como excesso de demanda, falta de clareza nas funções e falhas de comunicação interna estão entre os principais desencadeadores de estresse ocupacional.

Esse cenário ocorre em paralelo ao crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no país. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais em 2025, alta de 15,66% em relação a 2024, quando foram registrados 472.328 benefícios.

Entre os diagnósticos mais frequentes estão os transtornos de ansiedade e episódios depressivos, que lideram as concessões previdenciárias relacionadas à saúde mental.

Para o médico Marco Aurélio Bussacarini, especialista em medicina ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, a gestão desses fatores tende a ganhar maior relevância nas empresas. “Empresas que administram bem os riscos psicossociais produzem mais, reduzem custos e protegem margens, porque evitam dois dos maiores prejuízos silenciosos no mundo do trabalho: o turnover e o absenteísmo”, afirma.

Nova norma amplia atenção a riscos psicossociais

A tendência deve se intensificar com mudanças regulatórias. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), prevista para entrar em vigor em maio de 2026, passa a exigir que empresas incluam riscos psicossociais em seus programas de gerenciamento de saúde e segurança no trabalho.

Segundo Bussacarini, a nova exigência amplia o olhar das empresas sobre fatores organizacionais que afetam o ambiente de trabalho. “Quando esses riscos não são monitorados, eles acabam aparecendo depois em forma de afastamentos, queda de produtividade e conflitos trabalhistas”, afirma.

Como as empresas devem se preparar 

Na prática, a adequação à nova NR-1 passa por algumas medidas centrais dentro das empresas. Entre elas estão a realização de avaliações psicossociais periódicas, o mapeamento dos riscos no ambiente de trabalho e a implementação de ações preventivas, como suporte psicológico, treinamentos e fortalecimento de canais de escuta.

Também é necessário estruturar e formalizar esses processos, com registro das ações adotadas e integração às políticas de Saúde e Segurança do Trabalho, garantindo rastreabilidade para auditorias e fiscalizações.

Para o médico Marco Aurélio Bussacarini, especialista em medicina ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, a antecipação à norma pode gerar ganhos estratégicos. “Empresas que estruturam essa gestão de forma consistente reduzem riscos, melhoram o ambiente de trabalho e fortalecem sua segurança jurídica”, finaliza.

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