Doenças respiratórias elevam alerta para vacinação em pacientes em tratamento de câncer

Com a chegada do outono e o aumento da circulação de vírus respiratórios no Brasil, cresce também a procura por vacinas e, junto com ela, as dúvidas da população. Dados recentes do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz, indicam avanço nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em diferentes faixas etárias, impulsionado por agentes como influenza, vírus sincicial respiratório e rinovírus.
Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional São Paulo (SBM-SP) reforça a importância da imunização, especialmente entre pacientes em tratamento de câncer de mama. Segundo o mastologista Fábio Bagnoli, esse grupo apresenta maior vulnerabilidade a complicações infecciosas, principalmente quando expostas a tratamentos que diminuem a resistência da pessoa.
“Pacientes que estão passando por tratamento de câncer que diminuem a imunidade, como quimioterapia, podem ter um risco de hospitalização por influenza até quatro vezes maior em relação à população geral. No caso de pneumonia, a probabilidade de desenvolvimento da forma mais grave da doença é ainda maior”, afirma Bagnoli.
Com os avanços no tratamento do câncer de mama e o aumento da sobrevida das pacientes, infecções respiratórias passaram a ocupar um papel mais relevante na rotina clínica. “Entre as que chamam a atenção, estão a influenza e a pneumonia”, explica o especialista. Além do impacto na hospitalização, a vacinação contra gripe pode reduzir a mortalidade em quase 60% nesse público. Já no caso da pneumonia, o risco de evolução para formas graves pode ser de 12 a 50 vezes maior entre pacientes oncológicos.
As vacinas contra influenza e pneumonia fazem parte do grupo de imunizantes inativados, considerados seguros para pessoas com câncer. Também estão incluídas nessa categoria vacinas contra hepatite A e B, HPV, herpes zoster inativada, vírus sincicial respiratório (RSV), tétano e coqueluche, além das disponíveis contra COVID-19, segundo o mastologista Franklin Pimentel, coordenador da comissão de Tratamento Sistêmico da SBM-SP. A recomendação do médico é que essas vacinas sejam aplicadas preferencialmente até 15 dias antes do início da quimioterapia ou três meses após o término do tratamento. No entanto, em situações específicas, essas vacinas podem ser usadas com segurança mesmo durante o tratamento, mediante avaliação médica.
Por outro lado, vacinas de bactérias ou vírus vivos atenuados não são indicadas para pacientes imunossuprimidos. Entre elas estão BCG, pólio oral, varicela, febre amarela, dengue, herpes zoster atenuada e tríplice viral (sarampo, cachumba e rubéola). “Estas vacinas são contraindicadas para pessoas imunodeprimidas ou potencialmente imunodeprimidas como é o caso dos pacientes oncológicos que estão recebendo quimioterapia ou outros tratamentos que podem diminuir a imunidade”, ressalta Pimentel.
Quando não aplicadas antes do tratamento (30 dias antes do início), essas vacinas só devem ser consideradas após a recuperação do sistema imunológico, geralmente três meses depois da quimioterapia ou radioterapia, e apenas em casos selecionados.
A orientação da SBM-SP é que pacientes com câncer procurem os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, os CRIE, que integram o SUS e oferecem suporte especializado para esse público. Nessas unidades, é possível receber orientação adequada e acesso a vacinas específicas. “Especialmente neste período do ano, em que há maior circulação de vírus respiratórios, a vacinação deve ser encarada como uma estratégia essencial de proteção, sobretudo para pessoas com diagnóstico de câncer”, conclui Bagnoli.
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