Escândalo na UPP: Corregedoria faz operação contra venda de escalas na PM

Uma operação da Corregedoria da Polícia Militar, deflagrada nesta quarta-feira (06/05/2026), mirou um esquema de corrupção sistêmica na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, na Zona Norte do Rio. A pedido da 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão contra PMs acusados de pagar propina em dinheiro para obter vantagens e dispensas fraudulentas nas escalas de serviço.
As investigações começaram a partir de um flagrante escandaloso no dia 19 de dezembro de 2024. Durante uma inspeção surpresa da Corregedoria na UPP, dois capitães da PM foram presos após tentarem esconder uma mochila que continha R$ 24.050,00 em espécie, um revólver com numeração raspada e diversas anotações financeiras com a contabilidade do crime.
O “Cronograma Informal” da UPP
A partir daquela apreensão, a Promotoria denunciou os oficiais por posse ilegal de arma e abriu um inquérito para rastrear a origem do dinheiro. A apuração revelou a existência de um verdadeiro “balcão de negócios” dentro da unidade: um cronograma informal de folgas, onde um grupo restrito de policiais comprava dispensas do serviço militar.
Cerco Tecnológico: Rastreamento por GPS
Além das buscas e da quebra de sigilo dos dados telemáticos (mensagens e arquivos) dos celulares de 20 investigados, a Justiça Militar autorizou uma medida dura de rastreamento eletrônico.
Quatro policiais militares específicos terão seus dados telefônicos devassados através da localização de GPS e Estações Rádio Base (ERBs). O objetivo da auditoria é confrontar os registros oficiais da UPP com a localização física real desses agentes, já que as planilhas apontam que eles acumularam de 35 a 45 dias de ausências injustificadas nas escalas de serviço, recebendo dinheiro público sem trabalhar.
Box Informativo: O que é o Rastreamento por ERB?
🔍 TECNOLOGIA CONTRA A FRAUDE: As Estações Rádio Base (ERBs) são as antenas que transmitem o sinal de celular em cada bairro. Toda vez que um aparelho faz uma ligação, envia uma mensagem ou usa a internet, ele se conecta à antena mais próxima. Ao quebrar o sigilo de ERB e GPS dos quatro PMs que sumiram do serviço por até 45 dias, os investigadores conseguirão provar na Justiça se eles estavam patrulhando Manguinhos ou se estavam em praias, shoppings ou até mesmo em outros estados no horário do expediente.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto Rede social
