Justiça aceita recuperação judicial da SAF Botafogo

A SAF Botafogo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido pela 2ª Vara Empresarial da Capital do Rio de Janeiro. A decisão foi assinada pelo juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima e marca o início formal do processo de reestruturação financeira da sociedade anónima responsável pelo futebol do clube.

Com a medida, ficam suspensas ações de cobrança, execuções, bloqueios, penhoras e outras formas de constrição patrimonial relacionadas às dívidas sujeitas ao processo. O chamado “stay period” busca permitir que a SAF reorganize suas finanças e negocie com credores sem pressão judicial imediata.

O magistrado definiu ainda como marco inicial da recuperação judicial a data de 21 de abril de 2026, quando foi ajuizada a medida cautelar antecedente. Dessa forma, créditos originados antes desse período passam a integrar o processo de reestruturação.

No pedido apresentado à Justiça, a SAF Botafogo alegou enfrentar grave crise económico-financeira, com passivo total estimado em aproximadamente R$ 2,5 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 1,28 bilhão está diretamente sujeito à recuperação judicial.

Segundo a empresa, a crise foi agravada por problemas envolvendo o Eagle Football, controlado pelo empresário John Textor, antigo controlador da SAF. O modelo de gestão do grupo previa um sistema de “cash pooling”, mecanismo de centralização de caixa entre clubes ligados à holding, incluindo o Olympique Lyonnais e o RWDM Brussels.

De acordo com a SAF Botafogo, dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube francês, incluindo sanções esportivas e necessidade de novos aportes, provocaram desequilíbrios no sistema financeiro do grupo. A empresa afirma que recursos enviados a outras equipas não retornaram ao caixa do Botafogo, aumentando o endividamento.

O clube também alegou que decisões recentes da controladora priorizaram investimentos em outros clubes da rede, comprometendo a saúde financeira da SAF alvinegra.

Outro ponto destacado no pedido envolve riscos de punições da FIFA. Segundo a SAF, havia possibilidade de aplicação de sanções como “transfer ban”, impedindo a contratação de jogadores, além de eventuais perdas de pontos em competições nacionais.

Ainda segundo o requerimento, a apresentação formal do pedido de recuperação judicial seria essencial para tentar evitar ou reduzir essas penalidades esportivas.

A decisão judicial também confirmou a nomeação de Eduardo Iglesias como gestor judicial da SAF, substituindo Durcésio Mello, que recusou a função por motivos pessoais.

Agora, a SAF Botafogo terá prazo de 60 dias para apresentar um plano detalhado de recuperação judicial, indicando como pretende renegociar dívidas e recuperar o equilíbrio financeiro. Após a publicação da lista oficial de credores, será aberto prazo para apresentação de objeções.

O processo ocorre paralelamente a disputas societárias envolvendo a SAF Botafogo e a Eagle Bidco, inclusive em procedimentos arbitrais citados na decisão judicial.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto BFR

 

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