Justiça afasta servidores por venda de “falso Mounjaro” em UPA no RJ

O juízo da 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra um médico e uma supervisora administrativa da UPA Patrícia Marinho. Eles são acusados de comercializar e aplicar de forma ilegal uma substância vendida como o medicamento Mounjaro (Tirzepatida).
Entenda o Esquema na UPA Patrícia Marinho
Segundo as investigações, a substância vendida não possuía registro na Anvisa e era manipulada em frascos e seringas dentro da própria unidade de saúde. O “atendimento” ocorria de forma informal, mediante pagamento via Pix e sem a emissão de qualquer receituário médico oficial.
O Crime: A denúncia baseia-se no Artigo 273 do Código Penal, que pune a falsificação, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos.
O juiz Guilherme Grandmasson determinou o afastamento cautelar imediato dos acusados de suas funções públicas. A decisão visa evitar a reiteração do crime e preservar a integridade do serviço de saúde municipal.
Busca, Apreensão e Quebra de Sigilo
Além do afastamento, a Justiça autorizou medidas rigorosas para aprofundar as investigações:
- Busca e Apreensão: Mandados foram cumpridos na UPA e nas residências dos investigados para recolher medicamentos, documentos, computadores e celulares.
- Sigilo Telemático: Foi autorizado o acesso a dados de nuvem e aplicativos como WhatsApp, Telegram, Google Drive e Instagram.
O magistrado ressaltou que, embora a intimidade seja um direito, ela pode ser relativizada judicialmente em casos de grave interesse público. O objetivo agora é identificar os fornecedores e outros possíveis integrantes da cadeia de comercialização ilegal dessa substância de origem desconhecida.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
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