Lula defende Pix após críticas dos EUA ao sistema

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta quinta-feira (2), críticas feitas pelos Estados Unidos ao sistema de pagamentos instantâneos Pix. Durante evento em Salvador, Lula afirmou que a ferramenta continuará sendo aprimorada para atender às necessidades da população brasileira.
“O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, declarou o presidente, em defesa do sistema desenvolvido pelo Banco Central do Brasil.
As críticas constam em relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, que aponta preocupações de empresas norte-americanas com um suposto tratamento preferencial ao Pix, em detrimento de outros serviços de pagamento eletrônico.
Segundo o documento, o Banco Central brasileiro atua simultaneamente como criador, operador e regulador do Pix, além de exigir a adesão ao sistema por instituições financeiras com mais de 500 mil contas, o que, na visão dos EUA, poderia prejudicar concorrentes internacionais.
Investigação e tensões comerciais
Em 2025, os Estados Unidos, durante a gestão de Donald Trump, abriram uma investigação interna sobre práticas comerciais brasileiras consideradas potencialmente desleais. Entre os pontos analisados está o Pix.
Uma das hipóteses levantadas envolve a suspensão do WhatsApp Pay em 2020, aplicativo da Meta, empresa comandada por Mark Zuckerberg.
Na época, o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que o Pix foi criado para garantir segurança e eficiência ao sistema financeiro, sem discriminar empresas estrangeiras. Também destacou que a gestão pelo Banco Central assegura neutralidade e segue práticas adotadas por outras autoridades monetárias.
Pix e cenário global de pagamentos
O Pix foi lançado oficialmente em novembro de 2020, após estudos iniciados em 2018, e rapidamente se consolidou como um dos principais meios de pagamento no Brasil.
O relatório norte-americano, divulgado em 31 de março, avalia possíveis barreiras comerciais em diversos países. No caso brasileiro, além do Pix, o documento aborda temas como legislação trabalhista, proteção de dados, mineração ilegal e regras para plataformas digitais.
Mesmo diante das críticas, o governo brasileiro reforça que o sistema de pagamentos instantâneos é uma política pública voltada à inclusão financeira e à modernização da economia digital.
Com informações de Ag. Brasil
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto Ricardo Stuckert / PR
