Lula e Trump se reúnem nos EUA: Pix, armas e comércio ditam pauta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Washington nesta quinta-feira (07/05/2026) para um aguardado encontro bilateral com o presidente norte-americano Donald Trump. A comitiva brasileira levará na bagagem uma pauta densa e estratégica, focada em cooperação militar contra o crime organizado, comércio exterior, a defesa da tecnologia do Pix e a exploração de minerais críticos.

Os detalhes da agenda foram antecipados pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante o programa Bom Dia, Ministro, da EBC. Segundo o chefe da equipe econômica, o diálogo será pautado pelo pragmatismo e pelo respeito mútuo.

IA contra o Tráfico de Armas dos EUA

Um dos pontos centrais da reunião será o fortalecimento do acordo de inteligência entre a Receita Federal e a agência de fronteiras americana (U.S. Customs and Border Protection – CBP). Durigan revelou que o Brasil passou a utilizar Inteligência Artificial para cruzar dados de raio-X de milhares de contêineres que circulam diariamente entre os dois países.

O cerco eletrônico tem foco em conter o contrabando de armas e drogas sintéticas. O resultado é expressivo: entre maio do ano passado e abril de 2026, a fiscalização brasileira apreendeu mais de meia tonelada de armamentos e equipamentos bélicos vindos diretamente dos Estados Unidos. Agora, o Brasil cobra reciprocidade no rastreamento da origem desses arsenais em solo americano.

Defesa do Pix e Verdades Comerciais

O ministro da Fazenda também indicou que Lula vai usar a reunião para esclarecer o funcionamento do Pix e neutralizar “lobbies indevidos” contra a ferramenta brasileira de pagamentos.

No campo comercial, o governo brasileiro pretende desarmar discursos protecionistas sobre tarifas alfandegárias. Durigan pontuou que, ao contrário do que o senso comum aponta, o Brasil é deficitário na relação com os EUA, impulsionado pelo alto consumo de serviços digitais e financeiros norte-americanos.

“Se os Estados Unidos começam a impor tarifa porque têm um grande déficit com a China, nós somos os deficitários na relação com os EUA. Isso foi esclarecido”, ponderou o ministro.

Terras Raras e a Agenda Econômica Interna

Fora do eixo internacional, Durigan comentou duas pautas que tramitam no Congresso:

  • Minerais Críticos: O ministro defendeu a regulamentação das chamadas “terras raras”, afirmando que o governo quer atrair capital estrangeiro, mas exigirá o adensamento produtivo — ou seja, a industrialização desses componentes dentro do Brasil, gerando empregos locais em parceria com universidades.
  • Contas Públicas e Juros: Ao avaliar a taxa de juros, o ministro rebatou críticas de que o cenário de alta seja fruto de descontrole de gastos. Ele relembrou que a Fazenda zerou o déficit fiscal em 2024 e 2025, e que a meta para 2026 e 2027 é consolidar o superávit. Para Durigan, a pressão inflacionária atual decorre de fatores geopolíticos externos, como os desdobramentos de guerras no exterior, e o país mantém a trajetória para o aprofundamento do corte de juros.

 

Box Informativo: O que são as Terras Raras?

A ENERGIA DO FUTURO: “Terras raras” é o nome dado a um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a indústria de alta tecnologia. Eles são matérias-primas indispensáveis para a fabricação de chips de computadores, smartphones, motores de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa aeroespacial. O Brasil possui uma das maiores reservas desse material no planeta. A nova política defendida pela Fazenda tenta evitar que o país apenas exporte o minério bruto, forçando a montagem dos produtos tecnológicos em solo nacional.

Com informações de Ag. Gov

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

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