Megaoperação mira fraude de R$ 770 milhões com ‘títulos podres’ no RJ, MG e SP

A Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, desferiu um golpe certeiro contra uma organização criminosa de “colarinho branco” nesta quinta-feira (07/05/2026). As operações Títulos Podres e Consulesa (Fase 2) foram deflagradas simultaneamente para interromper um esquema bilionário de compensação fraudulenta de impostos, que utilizava créditos fiscais inexistentes, os chamados “títulos podres”.

O esquema era vendido por escritórios de advocacia e consultorias como “soluções tributárias” mágicas para quitar dívidas com a União, mas, na verdade, tratava-se de um sofisticado mecanismo de estelionato e lavagem de dinheiro.

O Alcance no Rio de Janeiro e Maricá

A Operação Consulesa (Fase 2) teve forte atuação no estado do Rio, com mandados de busca e apreensão cumpridos na capital e em Maricá. Ao todo, esta fase estima um desvio de R$ 670 milhões. A Justiça determinou o sequestro de bens, o afastamento de servidores públicos envolvidos e quatro prisões preventivas.

Já a Operação Títulos Podres focou nas lideranças e operadores financeiros, incluindo ao menos dez advogados entre os investigados. Com mandados em MG, SP, ES e MA, esta frente evitou um prejuízo adicional de R$ 100 milhões, com o bloqueio imediato de R$ 32 milhões em contas dos suspeitos.

Como Funcionava a “Engrenagem” do Crime

A investigação revelou uma estrutura profissionalizada e dividida em tarefas:

  1. Captação: Escritórios de fachada ofereciam consultoria a empresas e prefeituras prometendo redução drástica de impostos.
  2. Fraude: Utilizavam procurações eletrônicas e a ajuda de servidores públicos para inserir créditos falsos no sistema.
  3. Lavagem: Os valores recebidos eram pulverizados em contas de terceiros e empresas interpostas para ocultar o rastro do dinheiro.

Impacto na Arrecadação e Concorrência

Além do rombo brutal aos cofres públicos, a Receita Federal destaca que o esquema promovia a concorrência desleal. Empresas que utilizavam a fraude reduziam seus custos de forma ilícita, prejudicando empresários que pagam seus tributos em dia.

As autoridades agora analisam o material apreendido (celulares, documentos e computadores) para identificar outros envolvidos e mapear a extensão total da rede criminosa.

 

Box Informativo: O Perigo das “Soluções Milagrosas”

ALERTA AO EMPRESÁRIO: No mercado tributário, não existe “milagre”. Ofertas de quitação de débitos federais com deságios agressivos (ex: pagar R$ 1 milhão de dívida por R$ 300 mil) utilizando títulos antigos ou créditos de terceiros são sinais claros de fraude. O contribuinte que adere a esses esquemas, além de perder o dinheiro pago aos golpistas, continua devendo à Receita Federal e pode responder criminalmente por fraude fiscal.

Com informações de Ag. Gov

Wagner Sales – editor de conteúdo

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