Obras na Dutra elevam risco de alagamentos na Baixada

As obras de ampliação da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), no trecho que corta a Baixada Fluminense, acenderam um alerta entre moradores e autoridades. Intervenções no sistema de drenagem, especialmente na altura de Nova Iguaçu, podem aumentar o risco de alagamentos em áreas historicamente afetadas por enchentes.

Regiões como Posse, Comendador Soares e Cacuia estão entre as mais sensíveis. Moradores relatam preocupação com a possibilidade de agravamento dos problemas durante períodos de chuva intensa, comuns na região. O receio é que mudanças no escoamento da água, sem planejamento adequado, acabem direcionando grandes volumes para áreas residenciais.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro já identificou falhas técnicas nos projetos apresentados pela concessionária responsável pelas obras, a Ecovias Rio Minas. Entre os principais pontos estão inconsistências nos estudos hidrológicos e ausência de detalhamento na modelagem de drenagem, fundamentais para evitar enchentes.

Diante do cenário, o órgão recomendou a suspensão de parte das intervenções até que novos estudos técnicos sejam apresentados. A exigência inclui projetos executivos completos, cálculo correto da vazão da água e medidas efetivas de mitigação de impactos.

Além disso, há preocupação com a falta de integração entre os diferentes responsáveis pelas obras, incluindo órgãos reguladores e o poder público municipal. Para o MPRJ, é essencial a criação de um canal permanente de comunicação e governança, garantindo transparência e acompanhamento contínuo das intervenções.

O histórico da Baixada Fluminense com enchentes torna a situação ainda mais delicada. Com rios canalizados, ocupação urbana intensa e drenagem já comprometida, qualquer alteração mal planejada pode gerar impactos significativos para a população.

Enquanto isso, moradores seguem apreensivos, temendo que as obras, em vez de trazer melhorias na mobilidade, acabem agravando um problema antigo: os alagamentos que, a cada chuva forte, voltam a afetar milhares de famílias na região.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Ecovias 

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