PGR quer barrar crime organizado nas eleições de 2026

O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, afirmou nesta segunda-feira (6) que o Ministério Público atuará de forma firme para impedir a infiltração de organizações criminosas no processo eleitoral brasileiro.
Durante reunião com procuradores regionais eleitorais, realizada em Brasília, Gonet reforçou a necessidade de atuação técnica e imparcial para coibir abusos, pressões e práticas que possam comprometer a liberdade de escolha do eleitor.
Entre as prioridades destacadas pelo chefe do Ministério Público — que também exerce a função de procurador-geral Eleitoral — estão o combate à violência política de gênero e à disseminação de desinformação, especialmente nas redes sociais.
“É fundamental garantir que o eleitor forme sua opinião de maneira livre, sem sofrer pressões econômicas, psicológicas ou políticas”, afirmou.
O encontro reúne cerca de 30 integrantes do Ministério Público Eleitoral e tem como objetivo definir estratégias de fiscalização para as eleições deste ano. Os debates incluem temas como registro de candidaturas, fraudes à cota de gênero, abuso de poder, prestação de contas e combate à desinformação. Outros 150 procuradores e servidores participam da capacitação de forma remota.
Uma das principais preocupações apontadas por Gonet é a tentativa de influência de facções criminosas no financiamento de campanhas, no apoio a candidatos e até na orientação do voto. Nas eleições municipais anteriores, o Ministério Público Eleitoral conseguiu impedir, na Justiça, o registro de candidatos com vínculos com o crime organizado.
Para reforçar essa atuação, a Procuradoria-Geral Eleitoral instituiu um grupo de trabalho voltado ao enfrentamento dessas práticas. A equipe irá apoiar promotores e procuradores na coleta de informações estratégicas e manter articulação com os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) e núcleos de inteligência dos Ministérios Públicos em todo o país.
Gonet destacou que a vigilância deve ser constante diante de qualquer indício de interferência criminosa no processo democrático. “É essencial dedicar todos os esforços para impedir a atuação do crime organizado nas eleições”, reforçou.
O procurador também alertou para o impacto da desinformação no ambiente político, ressaltando a necessidade de respostas rápidas e eficazes para conter conteúdos falsos ou manipulados que possam prejudicar a democracia.
Violência política de gênero em foco
Durante o encontro, o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, destacou a importância de enfrentar a violência política contra as mulheres como forma de ampliar a participação feminina nos espaços de poder.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, cerca de 300 casos desse tipo de violência estão sendo monitorados atualmente no país. Desde 2021, a prática é considerada crime eleitoral, com penas que variam de um a quatro anos de prisão.
Até o momento, aproximadamente 50 denúncias já foram apresentadas à Justiça pedindo a responsabilização dos envolvidos.
Como atua o Ministério Público Eleitoral
O Ministério Público Eleitoral é formado por membros do Ministério Público Federal e dos Ministérios Públicos Estaduais. A instituição atua em todas as etapas do processo eleitoral, fiscalizando o cumprimento das regras, combatendo irregularidades e garantindo o equilíbrio da disputa.
O objetivo é assegurar eleições transparentes e preservar o direito do eleitor de escolher seus representantes de forma livre e consciente.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto Divulgação / PGR
