STF articula ação contra lavagem de dinheiro e crime organizado

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, reuniu-se nesta segunda-feira (23) com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, e o diretor-geral da Polícia Federal do Brasil, Andrei Rodrigues. O encontro teve como foco principal o combate à lavagem de dinheiro e o enfraquecimento financeiro de organizações criminosas.
Durante a reunião, Mercadante apresentou avanços de um grupo de trabalho interinstitucional formado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Polícia Federal e BNDES, com apoio técnico do Banco Central. A iniciativa prioriza o enfrentamento de crimes financeiros cibernéticos, que vêm crescendo em escala e sofisticação.
Galípolo destacou que o Banco Central está finalizando um pacote de medidas regulatórias para reduzir riscos e fortalecer a estabilidade do sistema financeiro diante das novas ameaças digitais. Já Andrei Rodrigues afirmou que a Polícia Federal segue conduzindo investigações relacionadas ao tema.
Fachin reforçou o compromisso do Judiciário em garantir segurança jurídica para a implementação das medidas. Segundo ele, o combate ao crime organizado deve ser tratado como uma política de Estado, com atuação coordenada e estratégica entre as instituições.
O diálogo entre os órgãos será ampliado com suporte técnico da Polícia Federal, com o objetivo de assegurar a efetividade jurídica e operacional das novas diretrizes regulatórias.
Crime organizado como ameaça ao Estado
Ainda pela manhã, Fachin participou da abertura do seminário “Desafios do Poder Judiciário ante o Crime Organizado”, realizado no CNJ. O evento reúne especialistas para discutir estratégias de enfrentamento, propor melhorias normativas e fortalecer a atuação institucional.
Na ocasião, o ministro alertou que o crime organizado representa uma ameaça crescente ao Estado Democrático de Direito. Segundo ele, essas organizações já atuam em todos os estados e no Distrito Federal. Dados recentes indicam que cerca de 19% da população brasileira — aproximadamente 30 milhões de pessoas — vivem em áreas com presença explícita desses grupos.
Fachin destacou que o crime organizado compromete instituições, domina mercados ilícitos, financia a violência e utiliza o sistema financeiro para lavagem de dinheiro, chegando a disputar com o Estado o controle territorial em regiões vulneráveis.
Para o presidente do STF e do CNJ, enfrentar esse cenário exige uma atuação firme e integrada do sistema de Justiça. “A segurança é um direito fundamental e deve ser tratada como prioridade do Estado”, afirmou.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto Antonio Augusto/STF
