Taques acusa Banco Master de fraudes em consignados

O ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques acusou o Banco Master de comandar um esquema de fraudes em crédito consignado e de transferir recursos a aliados políticos no estado. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (25), durante depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado Federal do Brasil.
Segundo Taques, o banco teria articulado uma rede de instituições financeiras que induziam servidores públicos a contratar empréstimos, dificultavam o acesso a informações e operavam sem autorização do Banco Central do Brasil.
O ex-governador afirmou que cerca de 45 mil servidores de Mato Grosso possuem empréstimos consignados vinculados a empresas ligadas ao banco.
Endividamento e atuação em outros estados
De acordo com Taques, há casos de aposentados com até 60% da renda comprometida com dívidas, com juros entre 4% e 5% ao mês. Ele também relatou que instituições utilizavam nomes semelhantes aos de bancos para confundir clientes.
Durante o depoimento, o senador Alessandro Vieira afirmou que o suposto esquema pode ter alcançado pelo menos 23 estados e mais de 160 municípios.
Taques também levantou suspeitas sobre decretos estaduais que ampliaram a margem de consignação em diferentes unidades da federação, como Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, sugerindo possível padronização nas medidas.
Suspeitas de lavagem de dinheiro
O ex-governador acusou ainda o banco de movimentar cerca de R$ 308 milhões provenientes de devoluções tributárias por meio de fundos de investimento, com suposto direcionamento a empresas ligadas a aliados do governador Mauro Mendes.
Segundo ele, esses fundos seriam utilizados como mecanismo para ocultação da origem dos recursos. Taques também criticou a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização dessas operações.
Clima político e questionamentos
Senadores destacaram o contexto político envolvendo Taques e Mauro Mendes, ambos apontados como possíveis candidatos ao Senado. Parlamentares questionaram a motivação das denúncias e os métodos utilizados nas investigações apresentadas pelo ex-governador.
A senadora Margareth Buzetti e o senador Wellington Fagundes levantaram dúvidas sobre a consistência das acusações e eventuais conflitos políticos.
Ausência em depoimento
Durante a sessão, o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, informou que Martha Graeff, convocada para depor, não compareceu. Segundo ele, caso a ausência não seja justificada, poderá ser determinada condução coercitiva.
Com informações de Ag. Senado
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Pedro França/Agência Senado
