Agosto reúne datas que conscientizam sobre colesterol e tabagismo

O mês de agosto reúne três importantes datas do calendário da saúde: o Dia Nacional da Saúde (5); o Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol (8); e o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29). As datas reforçam a importância da prevenção e do acompanhamento médico regular, especialmente entre as pessoas idosas, que apresentam maior vulnerabilidade a doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC) e demências.

O colesterol elevado e o tabagismo estão, justamente, entre os fatores que podem comprometer a saúde dos vasos sanguíneos e aumentar o risco de complicações graves. O colesterol alto favorece a formação de placas de gordura nas artérias, enquanto o cigarro contribui para danos vasculares, inflamação e alterações na circulação. Em conjunto com outros fatores, como hipertensão, diabetes, sedentarismo e obesidade, eles podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 apontam que 14,6% dos adultos brasileiros declararam ter recebido diagnóstico médico de colesterol alto. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o percentual chegou a 27,2%. O tabagismo também permanece como um importante fator de risco. Segundo o Vigitel 2024, 11,5% dos adultos residentes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal eram fumantes (13,9% dos homens e 9,5% das mulheres). Embora o país tenha registrado uma expressiva redução do tabagismo nas últimas décadas, o hábito continua associado a doenças cardiovasculares, AVC, câncer e doenças respiratórias.

Fatores de risco e demência

A relação entre saúde vascular e cognição também merece atenção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que fatores modificáveis, como o tabagismo e doenças cardiovasculares, podem contribuir para o risco de declínio cognitivo e demência. A entidade também recomenda o controle de condições cardiometabólicas, incluindo o colesterol alto, como parte das estratégias de redução do risco de demência. No Brasil, estima-se que cerca de 1,8 milhão de pessoas convivam atualmente com algum tipo de demência.

“Quando falamos em prevenção da demência, é importante entender que não existe um único fator responsável pelo desenvolvimento da doença. O envelhecimento é um dos principais fatores de risco, mas também existem condições e hábitos que podem ser modificados ao longo da vida. Controlar o colesterol, não fumar, acompanhar a pressão arterial, manter o diabetes sob controle, praticar atividade física e ter uma alimentação equilibrada são atitudes que ajudam a proteger não apenas o coração e o cérebro, mas também a autonomia e a qualidade de vida”, afirma Christiano Barbosa, presidente da Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (APAZ-RJ).

Para oespecialista em gerontologia, a prevenção deve começar antes do surgimento dos sintomas. “Muitas vezes, as pessoas procuram ajuda apenas quando aparece algum sintoma ou quando ocorre um evento grave, como um AVC. O ideal é fazer o acompanhamento de forma contínua. Exames de sangue podem ajudar a monitorar o colesterol e a glicemia, enquanto a aferição regular da pressão arterial permite identificar alterações precocemente. Também é fundamental conversar com um profissional de saúde sobre o tabagismo e buscar apoio para parar de fumar. Nunca é tarde para abandonar o cigarro e reduzir os riscos à saúde”, orienta.

A recomendação é que o acompanhamento seja individualizado, especialmente no caso das pessoas idosas. O controle do colesterol deve considerar o histórico de saúde e os demais fatores de risco de cada paciente. “Prevenir não significa garantir que uma pessoa jamais desenvolverá demência ou terá um AVC, porque existem fatores que não podem ser modificados. Mas reduzir os fatores de risco é uma forma concreta de aumentar as chances de envelhecer com mais saúde e independência. O cuidado precisa começar antes de uma emergência. Agosto é um bom momento para lembrar que cuidar da saúde é também cuidar do futuro”, conclui Christiano Barbosa.

 

Sobre a APAZ RJ

A APAZ (Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer, Doenças Similares e Idosos Dependentes) é uma Instituição sem fins econômicos, com o objetivo de informar, capacitar e apoiar familiares, profissionais e população em geral sobre os processos de demência, principalmente sobre a Doença de Alzheimer.

Foi fundada em 1991 pelo Dr. Jacob Guterma (Presidente de Honra – In Memorian) dentista que conviveu 8 anos cuidando de sua esposa com diagnóstico de Alzheimer. A APAZ atende somente os cuidadores de pessoas que vivem com demência. Sua  Diretoria é formada por familiares e a Comissão Científica conta com profissionais de todas as áreas que compõem o tratamento, seja medicamentoso ou não, de um processo de demência.

Leonardo Silva
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