As facções mais perigosas do Rio e como evoluíram nos últimos anos

O Rio de Janeiro continua sendo um dos estados brasileiros mais afetados pela atuação de organizações criminosas. Nas últimas quatro décadas, as facções deixaram de ser grupos concentrados no tráfico de drogas para se transformarem em estruturas complexas, com influência sobre a economia ilegal, a política local, o transporte alternativo, a distribuição de gás, os serviços clandestinos de internet e TV, além da ocupação territorial em centenas de comunidades.
Hoje, o cenário da segurança pública fluminense é marcado principalmente pela disputa entre três grandes grupos: o Comando Vermelho (CV), o Terceiro Comando Puro (TCP) e as milícias, que, embora tenham origens diferentes, disputam espaço e influência em diversas regiões do estado.
Comando Vermelho mantém maior presença territorial
Criado no final da década de 1970, o Comando Vermelho surgiu da convivência entre presos comuns e presos políticos no antigo Presídio da Ilha Grande. Inicialmente voltado para o tráfico de drogas, o grupo expandiu sua atuação e passou a controlar comunidades em praticamente todas as regiões da capital e da Baixada Fluminense.
Nos últimos anos, a facção ampliou sua presença em municípios do interior do estado e fortaleceu alianças com organizações criminosas de outras unidades da federação, aumentando sua capacidade logística para o tráfico de armas e drogas.
Além da venda de entorpecentes, investigações das forças de segurança apontam que integrantes do grupo passaram a atuar também em roubos de cargas, receptação de mercadorias, lavagem de dinheiro e controle de atividades econômicas ilegais.
Terceiro Comando Puro ampliou influência
O Terceiro Comando Puro consolidou-se como o principal rival do Comando Vermelho em diversas regiões do Rio.
Nos últimos anos, a facção expandiu sua atuação principalmente em bairros da Zona Norte, municípios da Baixada Fluminense e cidades da Região Metropolitana.
Segundo investigações policiais, o grupo também diversificou suas fontes de receita, participando de esquemas ligados ao roubo de cargas, receptação de medicamentos, comércio clandestino e lavagem de dinheiro.
As disputas entre CV e TCP estão entre as principais causas dos confrontos armados registrados em várias comunidades fluminenses.
Milícias mudaram o perfil do crime organizado
Enquanto as facções têm origem no tráfico de drogas, as milícias surgiram na década de 1990 com grupos formados, em parte, por agentes públicos e ex-agentes de segurança.
Inicialmente apresentadas como grupos de “autodefesa”, passaram rapidamente a explorar economicamente os territórios sob seu domínio.
Hoje, as milícias exercem controle sobre serviços como:
- transporte alternativo;
- distribuição de gás;
- internet clandestina;
- TV por assinatura ilegal;
- venda de imóveis irregulares;
- cobrança de taxas de “segurança”;
- exploração imobiliária.
Diversas investigações apontam que esses grupos também passaram a atuar no tráfico de drogas em algumas regiões, aproximando seu modelo de atuação ao das facções tradicionais.
A disputa territorial mudou o mapa da violência
Nos últimos anos, especialistas em segurança pública observam que o principal objetivo das organizações criminosas deixou de ser apenas controlar pontos de venda de drogas.
O domínio territorial tornou-se estratégico porque permite controlar atividades econômicas inteiras, arrecadar milhões de reais por mês e ampliar o poder político e financeiro dos grupos criminosos.
Essa disputa explica o aumento de confrontos em áreas da Zona Oeste, Zona Norte, Baixada Fluminense e municípios vizinhos da capital.
Crime mais sofisticado
Outro aspecto que chama atenção das autoridades é a profissionalização das organizações criminosas.
Investigações recentes mostram que essas estruturas utilizam:
- empresas de fachada;
- laranjas;
- criptomoedas;
- inteligência financeira;
- logística interestadual;
- armamento de alto poder destrutivo;
- sistemas próprios de comunicação.
Essa sofisticação dificulta o trabalho das forças de segurança e amplia a capacidade de ocultação do patrimônio obtido com atividades ilícitas.
O desafio para o Estado
Especialistas afirmam que o enfrentamento dessas organizações depende de uma combinação de ações policiais, inteligência financeira, fortalecimento das investigações patrimoniais e políticas públicas voltadas para educação, emprego e inclusão social.
Ao mesmo tempo, o combate ao crime organizado exige integração entre forças estaduais e federais, já que muitas dessas organizações atuam em diversos estados brasileiros e mantêm conexões internacionais para o tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
A evolução dessas quadrilhas demonstra que o desafio da segurança pública no Rio de Janeiro vai além da repressão policial. Envolve também a recuperação de territórios dominados pelo crime, o fortalecimento das instituições e a interrupção das fontes de financiamento que sustentam essas organizações.
Com informações produzidas por IA
Wagner Sales – editor de conteúdo
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