Ataque à Unitel afeta economia e serviços digitais em Angola

A operadora Unitel iniciou, nesta quarta-feira (29), o restabelecimento gradual dos serviços de voz, dados móveis e acesso à internet em Angola, após um ataque cibernético que comprometeu parte da sua infraestrutura tecnológica e afetou milhões de clientes em todo o país.

Segundo a empresa, a normalização ocorre de forma faseada, à medida que as equipas técnicas concluem intervenções para estabilizar a rede e reforçar a segurança dos sistemas afetados. Em várias províncias, utilizadores já relatam melhorias na qualidade das chamadas telefónicas, na navegação pela internet e no funcionamento dos serviços móveis.

A Unitel informou que o processo de recuperação exige procedimentos técnicos rigorosos para garantir a integridade da infraestrutura e evitar novos problemas. As equipas continuam mobilizadas para restabelecer integralmente os serviços e reduzir os impactos provocados pela interrupção iniciada na madrugada de terça-feira.

Falha afeta empresas e atividade económica

A instabilidade na maior operadora de telecomunicações de Angola provocou reflexos imediatos na economia nacional. Especialistas afirmam que milhares de empresas dependem da rede da Unitel para operações comerciais, comunicações e pagamentos eletrónicos.

O economista José Lumbo alertou que a interrupção comprometeu cadeias produtivas e dificultou a comunicação entre fornecedores, clientes e parceiros comerciais em diferentes províncias.

Segundo ele, embora muitos utilizadores tenham migrado temporariamente para a Africell, a operadora alternativa ainda não possui cobertura nacional suficiente para suprir toda a demanda, deixando regiões isoladas e ampliando os prejuízos.

Para o especialista, o episódio evidencia a necessidade de maior diversificação da infraestrutura de telecomunicações no país e de uma resposta rápida das autoridades diante da dependência de um único operador.

Comércio sofre com falhas nos pagamentos

Empreendedores também relatam perdas significativas devido à interrupção dos serviços. Muitos estabelecimentos ficaram impossibilitados de realizar transações por meio dos Terminais de Pagamento Automático (TPA), impedindo a conclusão de vendas.

Comerciantes afirmam que, desde o início da falha, diversos negócios acumularam prejuízos devido à impossibilidade de receber pagamentos eletrónicos, situação que afetou diretamente o fluxo de caixa das empresas.

Motoristas por aplicativo também acumulam prejuízos

O impacto da instabilidade atingiu ainda os motoristas de táxi por aplicativo. Em entrevista ao Pólo de Notícias, o motorista Emílio José relatou que permaneceu praticamente sem trabalhar durante boa parte do dia, já que muitos passageiros utilizam números da Unitel para solicitar corridas.

Segundo o profissional, a atividade só começou a ser parcialmente retomada após a ativação de um chip da Africell, mas o aumento da procura pela operadora alternativa provocou lentidão no serviço.

Além das dificuldades de conexão, o motorista denunciou atrasos no processamento dos pagamentos realizados pelas plataformas digitais, afirmando que diversas transferências ainda não foram creditadas na sua conta bancária.

Para Emílio José, os problemas não afetam apenas um profissional, mas milhares de motoristas que dependem diariamente das plataformas digitais para garantir o sustento das suas famílias.

Enquanto prossegue o processo de recuperação da rede, empresas, comerciantes e utilizadores aguardam a normalização completa dos serviços, considerada essencial para o funcionamento da economia e das atividades quotidianas em Angola.

Com informações de nossa correspondente Thyrsha Alberto

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Divulgação

Compartilhe

WhatsApp