Baby beef

Por: Jorge Eduardo Magalhães

É adepta do veganismo. Não come nada de origem animal. Também não usa desodorante, segundo sua teoria, o uso de sprays causa poluição. Fora os cabelos pintados de verdes, as tatuagens e os piercings, tudo é natural; isso fica evidente em seu cheiro e em suas axilas não depiladas.

No domingo, devido a insistência da mãe, comparece ao almoço familiar, na casa da avó materna. Sua prima, sempre cheirosa, penteada, vestida de forma impecável e com um namorado, também asseado, irrita-a veementemente. Uma burguesa que, em breve, terá uma família opressora.

O almoço é servido, é um baby beef. Enquanto degusta a salada feita carinhosamente pela avó que sabe que ela é vegana, profere um discurso inflamado:

– Vocês sabiam que esta carne é macia porque o animal fica confinado desde bezerro para não se movimentar e enrijecer? É uma tortura constante.

Acostumados com o mesmo discurso, no churrasco no ano passado e na carne assada do retrasado, ninguém lhe dá atenção.

Todos estão distraídos, já beberam muito. Sobrou um pouco do baby beef que está em cima do fogão. O cheiro está bom. Ninguém está olhando. Come rapidamente.

 

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