Delivery

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Estou engordando cada vez mais, reconheço isso, mas não me preocupo. Mamãe disse que se eu não me cuidar, acabo chegando naquilo que chamam de “obesidade mórbida”. Como não tenho argumentos, acabo a chamando de preconceituosa, gordofóbica.
Também, pudera. Confesso que fico o dia inteiro no meu quarto maratonando minhas séries preferidas e comendo bobagens. Aliás, nunca como nada saudável, apenas hamburguer, batata frita, pizza e me encho de refrigerante. Bebo sozinho dois litros por dia.
Quando eu era criança, meu avô dizia que eu deveria estudar para ser um grande homem. Nunca o questionei, mas perguntava para mim: qual a finalidade de ser um grande homem? Aborrecimento? Vaidade? Nunca liguei para dinheiro, meu quarto com ar-condicionado, TV e bastante comida já é o suficiente para mim.
Mamãe fala que eu preciso formar minha família, ter um emprego, que ela não é eterna. Espero que ela viva por bastante tempo, mas, depois que ela se for, eu penso nisso; por enquanto, se não fosse a mamãe falando no meu ouvido, pagando sermão, a vida seria perfeita.
Sempre pego o seu cartão para comprar minhas guloseimas. Ela todo mês muda a senha, mas acabo descobrindo. A obesidade está me deixando muito cansado para ir até o mercado comprar minhas porcarias.
Acho que vou pedir uma pizza gigante de calabresa pelo delivery.
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