Funcionários da ZEE Luanda-Bengo anunciam greve para segunda-feira

Funcionários da Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo anunciaram o início de uma greve para a próxima segunda-feira (20), alegando insatisfação com a gestão da instituição e denunciando desigualdades salariais, benefícios concedidos à direção e falta de diálogo com os trabalhadores.
Segundo os grevistas, a paralisação ocorrerá após o fracasso das negociações com a administração liderada pelo presidente do Conselho de Administração (PCA), Manuel Pedro Francisco. Os trabalhadores afirmam ainda que uma assembleia destinada a formalizar o movimento grevista, prevista para o dia 9 de julho, teria sido inviabilizada pela direção.
Entre as principais reivindicações estão a revisão das condições salariais, maior transparência na gestão dos recursos da instituição e a redistribuição dos benefícios concedidos aos membros da administração.
Os funcionários criticam a concessão de novas residências para integrantes da direção, a aquisição de veículos de alto padrão destinados a chefes de departamento e a distribuição de cartões de compras exclusivos para gestores, enquanto, segundo eles, os demais trabalhadores enfrentam baixos salários.
De acordo com denúncias apresentadas pelos grevistas, o PCA receberia remuneração mensal superior a Kz 14 milhões, incluindo subsídios, enquanto administradores receberiam cerca de Kz 11,7 milhões. Em contrapartida, técnicos teriam salários em torno de Kz 350 mil, trabalhadores da limpeza receberiam aproximadamente Kz 200 mil e motoristas cerca de Kz 150 mil. As informações são atribuídas aos denunciantes e não foram confirmadas oficialmente pela administração da ZEE.
Outro ponto de contestação é a cessão de uma área para um projeto imobiliário destinado à construção de cerca de 700 residências. Segundo os trabalhadores, apenas 13 diretores teriam sido beneficiados pela iniciativa.
Denúncias de gastos e contratações
Os funcionários também apontam supostos gastos considerados excessivos com viagens realizadas sob a justificativa de ações de formação, mas que, segundo as denúncias, beneficiariam repetidamente pessoas ligadas à direção.
Outra acusação envolve a contratação de empresas terceirizadas de limpeza para executar serviços que, segundo os trabalhadores, já são desempenhados por funcionários efetivos da instituição.
Greve seguirá exigências legais
A comissão de greve afirma que o movimento foi organizado em conformidade com a legislação angolana. Segundo os representantes dos trabalhadores, o caderno reivindicativo foi entregue à administração em 23 de junho de 2026 e comunicado à Inspeção Geral do Trabalho (IGT), ao sindicato da categoria, à Assembleia Nacional, à Casa Civil da Presidência da República, ao Ministério da Indústria e Turismo, ao Governo Provincial do Icolo e Bengo e ao Comando-Geral da Polícia.
Ainda de acordo com os grevistas, os serviços técnicos essenciais e de segurança continuarão funcionando durante a paralisação para garantir a preservação das atividades consideradas indispensáveis.
Os trabalhadores alegam que a direção informou que responderia às reivindicações apenas de forma verbal, posição considerada inaceitável pela comissão de greve, que cobra uma manifestação formal da administração.
Administração não se pronunciou
Procurada para comentar as denúncias, a direção da Zona Económica Especial Luanda-Bengo ainda não apresentou posicionamento oficial. Segundo o relato, o responsável pelo Gabinete de Comunicação e Imagem, Jaime Ferreira, informou que se pronunciaria posteriormente, mas, até o fechamento desta reportagem, não havia enviado resposta.
A matéria será atualizada caso a administração da ZEE Luanda-Bengo apresente sua versão sobre as acusações feitas pelos trabalhadores.
Com informações de nossa correspondente Thyrsha Alberto
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Divulgação
Compartilhe
