Futebol perde espaço e novos esportes conquistam os brasileiros

Com a falta de bons resultados no futebol e no vôlei e os resultados escassos na F1, brasileiros adotam esportes como judô, skate, surfe e tênis.

Nas últimas seis décadas, três esportes ganharam atenção especial e um lugar especial no coração dos brasileiros.

Primeiro foi o futebol.

Nos anos 50 e 60, com o surgimento de craques como Djalma e Nilton Santos, Didi, Gérson, Garrincha, Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivellino, a seleção brasileira ganhou três títulos da Copa do Mundo (1958, 1962 e 1970) e a posse definitiva da Taça Jules Rimet.

O Brasil tornava-se o país do futebol.

Depois, veio o jejum de 24 anos sem ganhar a Copa do Mundo e nesse período surgiu uma nova modalidade no coração dos brasileiros.

Nas décadas de 70 e 80, o brasileiro se apaixonou pela F1.

Oito títulos mundiais em duas décadas, mais de 50 vitórias, fizeram da categoria mais tradicional do automobilismo mundial, a número 1 do Brasil.

Somando-se a isso o surgimento do ídolo Ayrton Senna, tricampeão mundial e que levava com orgulho a bandeira do Brasil ao lugar mais alto do pódio, em um momento em que o nosso país vivia uma carência de Ídolos, fez com que a F1 virasse uma paixão nacional.

E a partir da década de 80, com o surgimento da geração de prata, vice campeã mundial e olimpica em 1982 e 1984 respectivamente, a primeira medalha de ouro olímpica do vôlei masculino em 1992, o vôlei começou a ganhar o coração dos brasileiros.

Nos anos 90, com o ouro olímpico da seleção masculina em 1992 e o falecimento de Ayrton Senna em 1994, único ídolo do esporte brasileiro na época, fez com que a modalidade entrasse de vez no coração dos brasileiros.

Durante mais de duas décadas, as seleções brasileiras de vôlei masculino e feminino ganharam inúmeros títulos e essa paixão só aumentou.

Atualmente o Brasil não vive um bom momento nessas modalidades e vamos abordar neste artigo um pouco das razões disso e os novos esportes que tem dado orgulho aos brasileiros. 

Futebol 

Em 2030, a Seleção Brasileira completa 28 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, maior jejum da história. 

Após o tetra e o pentacampeonato mundial em 1994 e 2002, quando o Brasil tinha uma ótima geração com Taffarel, Jorginho, Cafu, Aldair, Branco, Dunga,  Ronaldinho Gaúcho, Bebeto e Romário em 1994 e Cafu, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Rivaldo em 2002, o país não teve uma geração capaz de conquistar o sexto título da Copa do Mundo.

Surgiu Neymar em 2010, que disputou as Copas de 2014, 2018, 2022 e 2026, com muito potencial para ser o melhor jogador do mundo, mas com muitos problemas de lesão a partir de 2018 e uma má gestão da carreira, não conseguiu chegar ao topo do futebol mundial.

 

A Seleção Brasileira não vence uma seleção europeia em jogos eliminatórios da Copa do Mundo há 20 anos.

 

Perdeu para a França em 2006, a Holanda em 2010 e para a Alemanha em 2014, seleções do mesmo nível.

 

Mas as eliminações para a Bélgica em 2018, a Croácia em 2022 e a Noruega em 2026 foram para seleções com tradição muito menor que a da Seleção Brasileira.

Nem a contratação de Carlo Ancelotti, treinador multicampeão por onde passou, em 2025 deu resultado.

O Brasil foi eliminado pela Noruega nas oitavas de final em 2026, pior resultado desde a Copa do Mundo de 1990.

Falta investir no futebol de base. Não temos mais laterais como Leandro, Júnior, Cafu, Roberto Carlos e meio campistas como Didi, Gérson, Rivellino, Falcão, Sócrates e Zico sumiram do nosso futebol.

Carlo Ancelotti tem contrato com a seleção brasileira até 2030, mas não adianta ter o melhor treinador do mundo, se não voltarmos a revelar craques.

Vôlei 

O vôlei brasileiro também não vive o melhor momento da sua história. 

A seleção masculina conquistou a LNV de 2021, mas depois disso, ficou fora dos pódios olímpicos dos Jogos de 2020 e 2024, algo que não acontecia desde os Jogos Olímpicos de Sidney em 2000.

No ano passado, foi eliminada na primeira fase da Copa do Mundo, pior resultado da história e este ano, ficou fora das finais da Liga das Nações de Vôlei, algo que não ocorria desde 1992.

Já a seleção feminina tem conseguido se manter no pódio, mas não vence um título intercontinental desde o Grand Prix de 2017.

Foi medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de 2020 e bronze em 2024, além de ter sido vice campeã mundial em 2022 e terceira colocada em 2025.

No mês passado, terminou a VNL em segundo lugar pela quinta vez (as outras foram em 2019, 2021, 2022, 2025).

A pressão por um título importante começa a causar ansiedade e isso prejudica as jogadoras, segundo o comentarista Marco Freitas disse ao GE.

F1 

Já na F1, categoria mais tradicional do automobilismo mundial, os brasileiros conquistaram oito títulos mundiais e 101 vitórias, mas isso foi há mais de dez anos.

A última vitória foi de Rubens Barrichello em 2009, quando corria pela Brawn GP, o último pódio foi de Felipe Massa em 2015 com a Williams e o último brasileira campeão mundial foi Ayrton Senna em 1991.

Entre 2018 e 2024, o Brasil não teve um piloto brasileiro no grid.

Gabriel Bortoleto chegou a Sauber no ano passado e tem como melhor resultado o sexto lugar do GP da Hungria em 2025.

Pouco para um país que já teve Ayrton Senna, Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi.

Esperanças 

O Brasil tem tido ótimos resultados no surfe, skate, judô e na ginástica artística.

No surfe, os brasileiros ganharam 8 dos últimos 11 títulos mundiais, com Gabriel Medina (3 vezes), Filipe Toledo (2), Adriano Dias, Italo Ferreira e Yago Dora, atual campeão mundial.

Além disso, Italo Ferreira foi medalhista de ouro em Tóquio 2020 e Tatiana Weston-Webb ganhou a prata e Gabriel Medina o bronze em Paris 2024.

No skate, modalidade que, assim como o surfe, começou a fazer parte do programa dos Jogos Olímpicos em 2020, o país já conquistou 5 medalhas (três pratas em Tóquio e dois bronzes em Paris).

Rayssa Leal, do street feminino, conhecida como A Fadinha Brasileira, é o grande destaque do skate brasileiro. 

Com apenas 18 anos, tem duas medalhas em jogos olímpicos, além de ser pentacampeã do circuito mundial (SLS) e ter dois ouros, uma prata e um bronze em mundiais.

Já o judô é o esporte brasileiro com mais medalhas na história dos Jogos Olímpicos.

De 1980 para cá, a modalidade nunca deixou de subir ao pódio, tendo conquistado 5 medalhas de ouro.

O último deles foi em Paris 2024 com Bia Souza, melhor desempenho do Brasil em uma edição de Jogos Olímpicos, tendo  o judô brasileiro conquistado uma prata e dois bronzes (um deles inédito, por equipes).

Na ginástica artística, Rebeca Andrade é a maior medalhista olímpica do Brasil, com seis medalhas em duas edições dos Jogos Olímpicos (dois ouros, três pratas e um bronze).

Outros atletas brasileiros de destaque atualmente são Alisson dos Santos dos 400m com barreiras, a boxeadora Beatriz Ferreira, Isaquias Queiroz da canoagem, João Fonseca e Luisa Stefani do tênis e Hugo Calderano no tênis de mesa.

Conclusão 

A menos de dois anos dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, é preciso investir não apenas em esportes que o Brasil tem reais chances de medalha, como atletismo, ginástica artística, judô, skate, surfe, tênis de mesa e vôlei, como em esportes que o nosso país não tem tanta tradição, como o ciclismo, a ginástica rítmica, que fez um ótimo mundial no ano passado, o triátlon e o tiro com arco, onde temos o brasileiro Marcus D’Almeida entre os melhores do mundo.

Para chegar ao almejado top 10 do quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos é preciso ter pódios em diversas modalidades.

Investir no desenvolvimento dos esportes é uma forma de educar e incentivar a população a ir para o caminho do bem.

O Brasil tem tudo para se tornar uma potência no esporte.

Com informações de Salvador Gama

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Wander Roberto/ COB

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