Histórico: Candelária retira vitrais pela 1ª vez em 127 anos para restauro

Quem passa pelo Centro do Rio de Janeiro vai notar uma ausência temporária, mas por um motivo histórico. Pela primeira vez em 127 anos desde a sua instalação, os tradicionais vitrais da Igreja da Candelária foram totalmente retirados para um minucioso processo de restauração.
O projeto é uma iniciativa do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e da Irmandade da Candelária, contando com o acompanhamento do Iphan e um importante financiamento internacional da Fundação Gerda Henkel, da Alemanha, com o apoio do Consulado Alemão.
A Anatomia do Restauro
Ao todo, três conjuntos monumentais de vitrais — concebidos em 1898 pelo artista João Zeferino da Costa e executados em Munique (Alemanha) pelo renomado ateliê de F. X. Zettler — foram desmontados. A operação envolveu a remoção cirúrgica de 117 painéis de vidro e chumbo (39 de cada vitral):
- Vitral Principal: Retrata Nossa Senhora da Candelária com o menino Jesus;
- Vitrais Laterais: Representam os anjos anunciadores.
Para garantir a fidelidade histórica, o projeto importará da Alemanha vidros coloridos especiais com as mesmas características dos fabricados no século 19. O trabalho utiliza pigmentos esmaltados e tintas à base de prata para devolver a vivacidade original às peças, que sofrem com os impactos do tempo, da poluição e de atos de vandalismo.
Tecnologia Europeia contra a Umidade
A intervenção não vai apenas consertar o passado, mas proteger o futuro. O projeto prevê a instalação de vidraças de proteção externa e telas metálicas, além de um novo sistema de ventilação. Essa engenharia vai reduzir a umidade interna gerada pela condensação do ar, que é altamente corrosiva para vidros pintados.
A conclusão das obras e o retorno dos vitrais ao templo estão previstos para o segundo semestre de 2026.
Escola de Preservação
O projeto também deixa um legado técnico para o Rio. Na sede da Irmandade, está sendo realizado um curso prático de técnicas de restauro de vitrais para profissionais da área de conservação. Segundo Patricia Corrêa, superintendente do Iphan-RJ, a presença do órgão no curso reforça a importância da formação contínua para que o patrimônio fluminense continue sendo protegido por mãos qualificadas.
Box Informativo: O Guia do Passado
CURIOSIDADE HISTÓRICA: O restauro atual conta com um “mapa da mina” heróico: os desenhos originais e anotações deixados por João Zeferino da Costa no final do século 19. Esses documentos históricos estão servindo como guia definitivo para os restauradores, garantindo que cada traço de tinta à base de prata e cada encaixe de chumbo respeitem exatamente a visão que o artista teve há mais de cem anos.
Com informações de Ag. Gov
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto Oscar Liberal/Iphan
