INAC esclarece dados sobre violência infantil e abuso sexual em Angola

O Instituto Nacional da Criança (INAC) esclareceu que as 818 denúncias registadas entre 20 e 27 de julho de 2026 referem-se ao conjunto de casos de violência e violações dos direitos das crianças em Angola, e não exclusivamente a crimes de abuso sexual, como chegou a ser divulgado em algumas publicações.
Segundo a porta-voz do INAC, Rosalina Domingos, desse total de 818 queixas, 13 casos de abuso sexual contra menores foram validados durante o período analisado. As restantes denúncias abrangem diferentes formas de violência e situações de vulnerabilidade envolvendo crianças e adolescentes.
Os dados foram recolhidos principalmente nas províncias de Luanda, Uíge, Bié e Cuanza-Sul, onde o instituto acompanha as ocorrências e encaminha os casos para os órgãos competentes.
Fuga à paternidade lidera número de denúncias
De acordo com o balanço oficial do INAC, a distribuição das 818 participações apresenta o seguinte cenário:
- Fuga à paternidade: 288 casos;
- Exploração do trabalho infantil: 203 casos;
- Agressões físicas e psicológicas: 130 casos;
- Abuso sexual de menores: 13 casos confirmados;
- Abandono de recém-nascidos: 5 casos.
O relatório inclui ainda dezenas de notificações relacionadas com crianças em situação de abandono, negligência ou extrema vulnerabilidade social.
Abuso sexual continua a preocupar autoridades
Embora o número de casos confirmados de abuso sexual na semana analisada tenha sido de 13, o fenómeno continua a preocupar as autoridades angolanas.
Segundo o diretor-geral do INAC, Paulo Kalesi, Angola regista, em média, quatro crianças vítimas de abuso sexual por dia, revelando a gravidade do problema no país.
O dirigente acrescenta que aproximadamente 85% dos crimes sexuais contra menores ocorrem no ambiente familiar, sendo, na maioria das vezes, praticados por padrastos, pais, familiares ou pessoas próximas das vítimas.
INAC reforça canais de denúncia
O Instituto Nacional da Criança apela à população para denunciar qualquer suspeita de violência contra menores, destacando que a denúncia é fundamental para proteger as vítimas e responsabilizar os agressores.
As ocorrências podem ser comunicadas gratuitamente por meio da linha SOS Criança (15011), disponível 24 horas por dia, além das esquadras da Polícia Nacional e das direções provinciais do INAC.
O instituto reforça que o combate à violência infantil depende da participação da sociedade e da atuação integrada das instituições de proteção à infância.
Com informações de nossa correspondente Thyrsha Alberto
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Divulgação
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