Juíza angolana alerta para riscos à democracia africana

A presidente do Tribunal Constitucional de Angola, Laurinda Prazeres, defendeu o fortalecimento da separação de poderes e da independência judicial como pilares fundamentais para a consolidação do Estado Democrático de Direito no continente africano.
A magistrada participou, em Brasília, da segunda sessão da XVI Conferência Ibero-Americana de Justiça Constitucional, realizada sob o tema “Independência Judicial e Remédios de Defesa Constitucional”. O encontro foi moderado pelo ministro Gilmar Ferreira Mendes, do Supremo Tribunal Federal> (STF).
Desafios enfrentados pelos tribunais africanos
Representando a Conferência das Jurisdições Constitucionais Africanas, Laurinda Prazeres afirmou que os tribunais constitucionais africanos enfrentam desafios estruturais relacionados a:
- pressões políticas
- limitações orçamentárias
- interferências institucionais
Segundo a magistrada, esses fatores comprometem a autonomia das cortes e afetam diretamente a consolidação democrática, a proteção dos direitos humanos e a estabilidade constitucional em diversos países africanos.
Tribunais atuam contra abusos de poder
Durante a conferência, Laurinda Prazeres destacou que as jurisdições constitucionais africanas vêm ampliando sua autonomia institucional e exercendo papel importante na contenção de abusos de poder, mediação de conflitos políticos e garantia da transparência eleitoral.
Ela citou decisões judiciais consideradas históricas em países como:
- Quénia
- Malawi
- Senegal
- Ghana
- Cabo Verde
- Angola
Os tribunais desses países declararam a inconstitucionalidade de normas ligadas a processos eleitorais, decretos presidenciais e leis consideradas restritivas de direitos fundamentais.
Decisões do Tribunal Constitucional de Angola
No caso angolano, Laurinda Prazeres destacou decisões do Tribunal Constitucional que invalidaram normas relacionadas:
- à comparticipação financeira sobre ativos recuperados
- a dispositivos da Lei dos Crimes de Vandalismo
Segundo ela, as medidas violavam princípios constitucionais como proporcionalidade e legalidade penal.
Quatro dimensões da independência judicial
A presidente do Tribunal Constitucional apontou quatro dimensões essenciais da independência judicial:
- independência em relação ao poder político
- autonomia diante das partes processuais
- liberdade perante os próprios membros da magistratura
- resistência à pressão da opinião pública e da mídia
Para Laurinda Prazeres, a credibilidade das instituições judiciais depende não apenas de garantias legais, mas também de autonomia financeira, critérios meritocráticos para nomeações e uma cultura institucional baseada em transparência e responsabilidade.
Alerta sobre riscos à democracia
A magistrada também alertou para ameaças recentes à separação de poderes e ao funcionamento das instituições democráticas em alguns países africanos, citando o caso de São Tomé e Príncipe.
A XVI Conferência Ibero-Americana de Justiça Constitucional reúne representantes de tribunais constitucionais de diferentes continentes para discutir os desafios da justiça constitucional no século XXI e fortalecer a cooperação entre as cortes.
Com informações de nossa correspondente Thyrsha James
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto Divulgação
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