SBPC promove ato contra feminicídio e destaca exemplo de Niterói

A 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foi marcada, nesta semana, por um ato público em defesa da vida das mulheres e de combate ao feminicídio, realizado no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. A mobilização reuniu autoridades dos poderes Executivo e Judiciário, pesquisadores, gestores públicos e representantes da comunidade científica para reforçar a importância das políticas públicas de prevenção à violência de gênero.

Participaram da manifestação o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves; a primeira-dama, Fernanda Neves; a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia; além de representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da comunidade acadêmica e de instituições científicas.

Durante a mesa de debates “Enfrentamento às Violências de Gênero e os Desafios Cotidianos”, Cármen Lúcia afirmou que o principal desafio do Brasil é transformar a igualdade prevista na Constituição em uma realidade efetiva para todas as mulheres.

“A Constituição assegura igualdade entre homens e mulheres, mas esse princípio precisa ser vivido no cotidiano, dentro de casa, no mercado de trabalho, na política e em todos os espaços da sociedade”, destacou a ministra.

Ciência e políticas públicas

A presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, ressaltou que a ciência deve contribuir diretamente para a formulação de políticas públicas capazes de reduzir a violência contra as mulheres e promover uma sociedade mais justa.

Segundo ela, a escolha de Niterói para sediar o ato também simboliza os resultados obtidos pelo município, que acumula 18 meses sem registro de feminicídios, fruto da integração entre ações de prevenção, acolhimento e fortalecimento da rede de proteção às mulheres.

“A produção científica deve orientar políticas públicas que transformem realidades. O exemplo de Niterói demonstra que esse caminho é possível”, afirmou.

Rede de proteção às mulheres

Representando a Prefeitura de Niterói, a secretária municipal da Mulher, Thaiana Ívia, destacou que o município vem ampliando investimentos em programas de proteção, como o SOS Mulher, o Caminho Lilás e o auxílio social destinado às vítimas de violência doméstica.

Ela afirmou que o enfrentamento à violência exige atuação permanente do poder público e o fortalecimento da rede de acolhimento.

Mobilização nacional

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, reforçou que o combate ao feminicídio depende da mobilização conjunta dos governos, da sociedade, das universidades e da comunidade científica.

“Queremos as mulheres vivas. Precisamos construir um país onde elas possam viver com dignidade, liberdade e segurança. O enfrentamento da violência contra as mulheres é responsabilidade de toda a sociedade”, afirmou.

Também participaram do ato a presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader, que defendeu maior participação masculina na luta contra a violência de gênero, e a pesquisadora Joyce Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que destacou a importância de um feminismo inclusivo, voltado à garantia de direitos para mulheres negras, indígenas, transexuais, travestis e outros grupos historicamente vulnerabilizados.

Programação segue até agosto

A 78ª Reunião Anual da SBPC prossegue até 1º de agosto, na UFF, reunindo mais de 700 atividades científicas e culturais, entre conferências, oficinas, exposições, mesas-redondas e debates sobre ciência, tecnologia, inteligência artificial, sustentabilidade, educação e inclusão.

Com o tema “Ciência para Todos: Soberania, Desenvolvimento e Inclusão”, o encontro reúne pesquisadores de todo o país e reafirma o papel da ciência na formulação de políticas públicas e no enfrentamento dos principais desafios sociais do Brasil.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Claudio Fernandes

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