Soroterapia: Anvisa e especialistas alertam para riscos do tratamento

Promessas de energia extra, imunidade blindada, rejuvenescimento e efeito “detox” transformaram a soroterapia em uma grande tendência nas redes sociais. No entanto, o alerta da comunidade médica e sanitária é claro: não existe nenhuma evidência científica que comprove esses benefícios em pessoas saudáveis.

A administração intravenosa (direto na veia) de vitaminas, minerais e medicamentos é um procedimento médico legítimo, mas que deve ser restrito a pacientes com deficiências nutricionais clinicamente diagnosticadas ou em situações específicas, como:

  • Casos graves de desidratação;
  • Pacientes internados;
  • Pessoas impossibilitadas de absorver nutrientes pela alimentação.

Fora desse ambiente clínico, a prática de aplicar “soros da beleza” ou “coquetéis de imunidade” em pessoas saudáveis não tem eficácia comprovada e traz riscos desnecessários.

Os perigos da aplicação intravenosa e o excesso de vitaminas

Por se tratar de um procedimento invasivo, a aplicação na veia pode causar infecções locais ou generalizadas, reações alérgicas graves e lesões nos vasos sanguíneos.

Além disso, o uso indiscriminado dessas substâncias pode levar à hipervitaminose (excesso de vitaminas no organismo). Longe de fazer bem, a hipervitaminose pode provocar:

  • Náuseas e vômitos;
  • Dores de cabeça intensas;
  • Alterações e sobrecarga nas funções do fígado e dos rins.

Atenção: Injeção não é cosmético. Por definição, cosméticos são produtos de uso estritamente externo (aplicados na pele, cabelos ou unhas). Qualquer produto injetável deve ser classificado e regulado como medicamento ou dispositivo médico.

O que você deve checar antes de qualquer procedimento?

Para garantir a sua segurança e evitar cair em golpes ou práticas ilegais, siga três passos fundamentais antes de realizar qualquer tratamento injetável:

  1. Regularização na Anvisa: Certifique-se de que todas as substâncias e equipamentos utilizados possuem registro e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
  2. Habilitação do profissional: Verifique se quem está oferecendo o serviço tem formação técnica e habilitação legal para realizar procedimentos invasivos.
  3. Validação do conselho de classe: Consulte o conselho profissional correspondente (como CRM, COFEN ou CRF) para checar se a soroterapia para fins estéticos ou de bem-estar é uma prática oficialmente reconhecida por aquela categoria.

Com informações de Ag. Gov

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Shutterstock

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