STF autoriza nova fase da Operação Compliance Zero da PF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a deflagrar uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga o chamado “caso Master”. Nesta quinta-feira (9), agentes cumpriram mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar contra o publicitário Thiago Miranda Silva, apontado como um dos investigados no esquema.

Segundo a Polícia Federal, a operação busca reunir provas sobre a suposta atuação de Thiago Miranda em conjunto com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em ações destinadas a comprometer a credibilidade do Banco Central, além de intimidar jornalistas, empresários e concorrentes.

Influenciadores e jornalistas seriam alvos do esquema

As investigações apontam que Thiago Miranda teria participado do recrutamento de influenciadores digitais e jornalistas com recursos oriundos do suposto esquema fraudulento relacionado ao Banco Master. Em troca de pagamentos e mediante compromisso de confidencialidade, essas pessoas seriam incentivadas a publicar conteúdos favoráveis à instituição financeira e a questionar decisões de órgãos públicos, especialmente do Banco Central.

De acordo com a PF, algumas propostas de remuneração chegavam a R$ 2 milhões para divulgação de conteúdos destinados a influenciar a opinião pública durante o processo de liquidação do Banco Master.

Os investigadores também afirmam que integrantes do grupo utilizavam informações privilegiadas obtidas de forma ilícita para intimidar ou pressionar pessoas que se recusavam a aderir ao chamado “Projeto DV”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente ao cumprimento das medidas cautelares.

STF destaca necessidade de preservar provas

Na decisão proferida na Petição (PET) 16.346, o ministro André Mendonça afirmou que os elementos apresentados pela Polícia Federal demonstram a necessidade da busca e apreensão para preservar documentos físicos e digitais, reconstruir a movimentação financeira, societária e de comunicação entre os investigados e evitar eventual destruição ou ocultação de provas.

O ministro também destacou que, além das investigações conduzidas pela PF, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou uma série de ataques coordenados ao Banco Central nas redes sociais.

Investigação inclui suposta intimidação de jornalistas

As apurações indicam ainda que o grupo teria utilizado uma plataforma de comercialização de dados para levantar informações pessoais, patrimoniais e profissionais da jornalista Malu Gaspar, com o objetivo de localizar informações sensíveis ou que pudessem comprometer sua imagem.

Segundo a decisão, foram acessados dados sobre familiares, patrimônio, cadastros e até informações relacionadas ao veículo utilizado pela jornalista.

“Os elementos analisados apontam que Thiago desempenhava papel central nessas iniciativas, sendo o principal responsável por realizar pesquisas e levantamentos acerca da vida privada da jornalista”, registrou o ministro André Mendonça.

A Polícia Federal também apura a adoção da mesma estratégia contra o empresário Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam ainda que Thiago Miranda teria procurado outros dois jornalistas para tentar impedir a publicação ou retirar de circulação reportagens consideradas prejudiciais aos interesses de Daniel Vorcaro.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

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