Lula propõe Pacto contra Violência e união contra o crime no Mercosul

Durante seu discurso na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o bloco como uma “necessidade estratégica” para o continente diante do avanço da polarização política global.

Lula apresentou dados expressivos sobre o crescimento do bloco: o comércio interno saltou de 4,5 bilhões de dólares em 1991 para mais de 50 bilhões de dólares em 2025. Já o intercâmbio comercial com o resto do mundo cresceu 6% no último ano, atingindo quase 760 bilhões de dólares.

Investimento bilionário em infraestrutura e o Focem-II

O presidente brasileiro destacou o papel central do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) na redução de desigualdades regionais através de grandes obras. Para fortalecer o mecanismo, ele anunciou que o Brasil está pronto para o lançamento do Focem-II, prometendo um aporte significativo:

  • Investimento: 100 milhões de dólares anuais por parte do Brasil;
  • Duração: Repasses garantidos ao longo de uma década (10 anos);
  • Histórico do fundo: O Focem já financiou mais de mil quilômetros de rodovias, 680 km de ferrovias e 750 km de linhas de transmissão elétrica.

Clima, Energia e Soberania em Minerais Críticos

Lula enfatizou que a integração do continente deve ficar acima de posições ideológicas para responder a desafios urgentes, como a iminente chegada do fenômeno climático El Niño. Ele lembrou que o Mercosul está na vanguarda da transição energética global devido à sua matriz limpa, com alto potencial para hidrogênio verde e combustível sustentável de aviação.

O líder brasileiro também cobrou uma estratégia conjunta para o setor de mineração de transição, apoiando a proposta do Paraguai de criar um plano voltado para minerais críticos (essenciais para a tecnologia e descarbonização). “Desenvolver cadeias regionais que incluam etapas de maior valor agregado é uma questão de segurança nacional e soberania”, alertou.

Defesa da Democracia e Combate ao Crime

O avanço do crime transnacional e as ameaças às instituições democráticas ocuparam parte central da fala do presidente em Assunção. Lula alertou sobre o papel das redes de desinformação no enfraquecimento da confiança pública e pediu uma reação coordenada entre as polícias e a Justiça dos países do bloco.

“Não há democracia forte ou desenvolvimento duradouro onde o crime organizado corrói a autoridade legítima do Estado”, afirmou o presidente brasileiro.

Para fortalecer o tecido social e democrático da região, o presidente aconselhou a proteção de minorias e propôs a urgência de um debate em torno do Pacto Regional pelo Fim da Violência contra Mulheres.

Antes de encerrar o discurso defendendo a autonomia externa e a diversificação de parcerias do bloco sem alinhamentos automáticos, Lula pediu um minuto de silêncio pelas vítimas do forte terremoto ocorrido na Venezuela na semana anterior.

Com informações de Ag. Gov

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

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