PF faz operação que apura suposta ligação entre Banco Master e senador

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga supostos crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e organização criminosa relacionados ao Banco Master.

A nova etapa da operação tem como foco a apuração de indícios de uma possível relação entre os gestores da instituição financeira, Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro, e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Segundo a investigação, haveria suspeitas de atuação parlamentar voltada a interesses do banco em troca de vantagens indevidas.

Na decisão, o ministro destacou que os autos apontam uma relação antiga e próxima entre os investigados, marcada por elevado grau de confiança. De acordo com Mendonça, mensagens eletrônicas, áudios, registros de chamadas, documentos contratuais, comprovantes de transferências bancárias, registros societários e planilhas de pagamentos apreendidos em fases anteriores da operação reforçam a necessidade de aprofundamento das investigações.

Com base nesses elementos, foram autorizados mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nos estados da Bahia e de São Paulo, além do Distrito Federal. As medidas receberam parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Entre as cautelares determinadas estão a proibição de contato entre os investigados, o acesso a dados telefônicos e telemáticos armazenados em dispositivos apreendidos, a retenção de passaportes e a realização de buscas domiciliares. Segundo o relator, as medidas visam preservar provas e evitar eventual destruição, ocultação ou manipulação de elementos relevantes para a investigação.

A decisão aponta três principais linhas de apuração envolvendo o senador Jaques Wagner. A primeira está relacionada à aquisição de um apartamento em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões, que, segundo a PF, teria sido negociado por intermédio de terceiros para ocultar o beneficiário final da operação.

A segunda frente investiga supostos pagamentos e repasses destinados à BN Financeira Ltda. e a outras empresas ligadas ao núcleo familiar do parlamentar.

Já a terceira busca verificar possíveis atuações legislativas ou institucionais em temas de interesse do Banco Master, incluindo propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado para trabalhadores, aposentados e pensionistas, ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e à fiscalização da aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília.

Apesar de autorizar buscas em endereços particulares do senador, André Mendonça rejeitou o pedido para realização de diligências em espaços vinculados ao exercício do mandato parlamentar, como o gabinete no Senado e o escritório de apoio político.

Segundo o ministro, medidas dessa natureza exigem fundamentação específica e demonstração concreta de que existem provas indispensáveis nesses locais e que elas não possam ser obtidas por outros meios. Para o relator, os elementos apresentados até o momento não justificam uma intervenção tão ampla em ambientes ligados à atividade parlamentar.

Por outro lado, Mendonça determinou medidas cautelares contra Jaques Wagner, incluindo a proibição de manter contato com os demais investigados — exceto parentes eventualmente envolvidos — e a vedação ao exercício de atividades de gestão, administração, representação, consultoria, intermediação ou negociação relacionadas às empresas investigadas pela Polícia Federal.

As investigações prosseguem sob supervisão do STF e buscam esclarecer a existência de eventual esquema de favorecimento envolvendo agentes públicos e interesses privados ligados à instituição financeira.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Pedro França / Ag. Senado

 

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