Ensino de Línguas em Angola: desafios e lições dos PCN brasileiros

O Ensino da Língua Estrangeira na Escola Pública Angolana à Luz dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN): uma reflexão crítica

O ensino das línguas estrangeiras constitui um elemento estratégico na formação dos cidadãos em sociedades cada vez mais globalizadas e plurilingues. Em Angola, contudo, persistem desafios relacionados com metodologias tradicionais, insuficiente formação docente e reduzida valorização da competência comunicativa. Neste contexto, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do Brasil oferecem contributos relevantes para repensar o ensino de línguas, ao defenderem uma abordagem centrada no uso social da linguagem, na construção de significados e na formação crítica dos estudantes.

A proposta dos PCN converge com perspectivas de autores como Vygotsky e Paulo Freire, que compreendem a aprendizagem como um processo social, dialógico e participativo. Do mesmo modo, estudiosos como Alastair Pennycook, Bonny Norton e Ngũgĩ wa Thiong’o defendem um ensino de línguas sensível às relações de poder, às identidades e às realidades culturais dos aprendentes. No contexto angolano, observa-se que o ensino das línguas estrangeiras continua frequentemente centrado na gramática e na tradução, desconsiderando a diversidade linguística do país. Assim, torna-se necessária uma reconfiguração pedagógica que valorize o multilinguismo, promova metodologias comunicativas e reconheça as línguas nacionais como recursos para a aprendizagem.

A melhoria do ensino das línguas estrangeiras em Angola exige uma reforma pedagógica fundamentada em abordagens críticas, comunicativas e interculturais. Os PCN constituem um referencial importante, desde que adaptados às especificidades sociolinguísticas angolanas. Investir na formação contínua dos professores, na valorização do plurilinguismo e na integração de perspectivas africanas permitirá construir uma educação linguística mais inclusiva, contextualizada e capaz de responder aos desafios contemporâneos.

Professor Fernando Chilumbo

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