Escutas de milicianos revelam PMs cobrando propina em blitz no Rio

O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) obteve o recebimento de uma nova denúncia criminal pela Auditoria da Justiça Militar. Os policiais militares Francisco Santos de Melo, Rômulo Luiz dos Santos e Luís Eduardo Teixeira viraram réus pelo crime de corrupção passiva após serem flagrados negociando a liberação de um veículo irregular em troca de propina, durante uma blitz na comunidade de Rio das Pedras, reduto miliciano na Zona Oeste da capital.

A fraude na fiscalização de trânsito foi descoberta por acaso. O MPRJ interceptou as conversas dos agentes no curso de uma investigação maior que contava com escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. Os promotores monitoravam os passos de um policial que atuou como intermediário do suborno — um agente de segurança que já havia sido denunciado por organização criminosa e corrupção ativa na emblemática Operação Os Intocáveis 2, voltada ao combate às milícias da região.

Escutas cruzadas com escalas de serviço da PM

Ao analisar os áudios gravados, o Ministério Público identificou os termos do acerto financeiro e os nomes dos envolvidos. Para consolidar as provas do crime, a promotoria cruzou os dados das ligações com os livros de registros internos da corporação. O resultado confirmou que a data e o horário das conversas interceptadas batiam exatamente com a escala de serviço em que os três PMs operavam o cerco tático em Rio das Pedras.

Além de aceitar a denúncia criminal e transformar o trio em réu perante o tribunal militar, o Juízo da Auditoria determinou medidas cautelares duras:

  • Afastamento imediato dos policiais das atividades de policiamento ostensivo e de rua;
  • Suspensão total do porte de arma de fogo de todos os denunciados;
  • Remessa dos réus para funções estritamente administrativas até o desfecho do processo judicial.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

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