MPRJ faz operação contra agentes ligados ao TCP no Rio

Por determinação do procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro cumpriu, nesta quinta-feira (18), 14 mandados de busca e apreensão contra três agentes públicos investigados por suposta ligação com a facção criminosa Terceiro Comando Puro.
Foram alvos da operação o deputado estadual Val Ceasa, o ex-vereador do Rio de Janeiro Ulisses de Almeida Marins e o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo.
Segundo o procurador-geral de Justiça, as diligências resultaram na apreensão de R$ 341 mil em dinheiro vivo, cinco armas de fogo, 11 aparelhos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento de dados e munições de diversos calibres.
Durante a operação, Michael Johnny Vianna de Azevedo e uma mulher que o acompanhava foram presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Todo o material recolhido foi encaminhado à Cidade da Polícia, onde passará por perícia para subsidiar o aprofundamento das investigações.
De acordo com o MPRJ, a nova etapa da apuração busca identificar eventuais vínculos dos investigados com a organização criminosa e esclarecer a extensão da possível atuação do grupo junto a agentes públicos.
Em nota, Antonio José Campos Moreira afirmou que os fatos investigados representam motivo de preocupação para as instituições democráticas.
“Esses fatos preocupam profundamente o Ministério Público, pois revelam um processo de degradação do ambiente político que vem se tornando cada vez mais evidente”, declarou o procurador-geral. Segundo ele, a presença de agentes públicos supostamente ligados a facções criminosas representa uma ameaça ao fortalecimento das instituições democráticas e ao Estado de Direito.
As investigações apontam que os suspeitos teriam atuado para obter informações sobre uma operação sigilosa destinada à demolição de imóveis utilizados pelo TCP em Parada de Lucas, área que integra o chamado Complexo de Israel, na Zona Norte da capital fluminense.
Conforme apurado pelo Ministério Público, os investigados teriam alegado que os imóveis eram destinados à prestação de serviços sociais, informação que, segundo os investigadores, não correspondia à realidade. A suposta atuação teria contribuído para o adiamento da operação policial planejada para a região.
Os mandados foram expedidos pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e cumpridos em endereços localizados na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, na Ceasa-RJ, além de outros imóveis na capital fluminense e no Espírito Santo.
O Ministério Público informou que as investigações seguem em andamento e que a análise do material apreendido poderá revelar novos elementos sobre a atuação dos investigados e sua eventual relação com a organização criminosa.
O deputado estadual Val Ceasa (PRD) afirma que todo cidadão pode ser investigado. No entanto, alega ser alvo de uma perseguição política. A declaração foi dada durante uma sessão na Assembleia Legislativa do Rio.
Em discurso no plenário horas após o cumprimento dos mandados, Val Ceasa classificou como “constrangedor” o fato de ter sido acordado por agentes do Ministério Público e da polícia e disse que honra com os próprios compromissos.
O deputado também afirmou, sem citar nomes, que espera que a situação não seja a mesma pela qual passou o vereador Salvino Oliveira (PSD) que, no início do ano, chegou a ser preso por um suposto envolvimento com o Comando Vermelho.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto Divulgação
Compartilhe
